Por: Margarete Lopes Faria de Freitas
Localizado em Cariacica, segundo município mais populoso do estado do
Espírito Santo e com maiores desafios social, guarda em meio ao seu
dia-a-dia agitado, preciosidades pouco exploradas e conhecidas pelos
capixabas. Florestas nativas, quedas d’águas, lagos e fazendas recheadas
de histórias fazem parte desse caminho desconhecido e, ao mesmo tempo,
próximo de Vitória. Um roteiro ritmado pela cadência dos tambores de
Congo.
A primeira pérola a ser desvendada é o monte Mochuara. Um dos montes
mais imponentes da região metropolitana, ao lado do Mestre Álvaro na
Serra, e do morro do Convento da Penha em Vila Velha. O granito tem 724
metros de altitude e possui em seus limites uma biodiversidade valiosa.
Morada de espécies ameaçadas, como o araçá do mato, pau d’alho, cobi da
serra, cobi da pedra, jeriquitim e jeriquitibá, sua fauna é composta pôr
beija-flores, pica-paus, lagartos e outros bichos.

No passado, o Mochuara abrigou Índios que perderam batalhas para os colonizadores brancos no litoral. Mais tarde foi a vez dos negros escravos das fazendas e engenhos de cana-de-açúcar, buscarem proteção em sua imponência. Sem poder participar da festa que ouviram do Morro da Penha em Vila Velha para festejar Nossa Senhora, as cariaciquenses de outras décadas se mobilizaram para procissões que com o tempo, ganharam vida própria, animadas por bandas de congo especialmente da região do Mochuara.
A grandiosidade do Monte, que o destaca dos demais, serviu de
referência para os viajantes e aventureiros do primeiro século no Brasil
colônia, que percorriam os sertões do Espírito Santo em busca de novas
terras e de riquezas minerais. Existem duas versões para o nome do
rochedo: Na linguagem indígena, Mochuara quer dizer pedra irmã. Já nos
relatos históricos a denominação deve-se aos corsários franceses que
aportaram na baía de Vitória no século XVI. Como a neblina que encobria o
monte lembrava um imenso pano branco para os homens do mar. Daí a
expressão mouchuir. A palavra que significa em francês lenço, se
pronuncia “muchuá”. Do monte descia o rio Carijacica, na língua tupi,
chegada do homem branco que mais tarde deu o nome ao município, quando
foi suprimida a letra J. As nascentes localizadas no Moxuara deságuam
nos rios Formate e Bubu.
Assim, Cariacica recebeu os primeiros traços da civilização pela
influência dos Jesuítas que aqui estabeleceram engenhos e fazendas em
diversas regiões. Entre elas destacamos: Itapoca, Roças velhas,
Caçaroca, Maricará e Ibiapaba. Em Roças Velhas, perto da sede do
município, existem grandes fazendas. Entre elas, se destaca a Estância
Vale do Moxuara.
A “Estância Vale do Moxuara” pertence a família Rodrigues de Freitas há
mais de duzentos anos. Atual proprietário, o Sr. Wilson Freitas Filho
faz parte da quarta geração da família que no início era a grande
propriedade “Roças Velhas”. Atualmente, são várias fazendas como a
“Estância Vale do Moxuara”, que abrigam parte da montanha denominada
Mochuara, importante monumento natural e cultural do município de
Cariacica.
Em função da topografia e tamanho da estância, o atual proprietário,
que é agrônomo, optou pela criação de peixes, cabras e carneiros,
chegando a ser um dos maiores produtores de leite de cabra do estado. À
medida que uma área era explorada, iniciava-se o reflorestamento de
plantas nativas e frutíferas no local. Desta forma, iniciou-se um
trabalho educativo, recebendo estudantes de escolas agrícolas e também
fazendeiros interessados na criação de cabras. Os visitantes ficavam
entusiasmados com o aproveitamento da área e com a produtividade.
Com a produção do leite de cabra estimulou-se, junto aos pais e
professores, curiosidades que proporcionaram as crianças conhecer de
perto o que aprendiam na escola. A Sra. Margarete, esposa do Sr. Wilson,
aproveitando sua formação de Educadora e seu carinho pelo local,
começou a receber, inicialmente a escola de seus filhos e alguns amigos e
aos poucos outras escolas.
E assim, sentindo a necessidade de estender esse trabalho as escolas da
região metropolitana criamos o Projeto “Um dia no Campo” e logo depois o
“Vale do Moxuara Turismo Rural”. Atualmente, a área conta com vários
equipamentos de lazer, sala de artes, criação de: cabras, carneiros,
javalis, galinhas, mini-zoo, minhocário, horta de plantas medicinais,
salão para eventos, alojamentos e restaurante, oferecendo uma ótima
estrutura para o desenvolvimento de atividades educativas e para o
lazer.
“O Vale do Moxuara é hoje modelo de Preservação e aproveitamento sem nenhum tipo de agressão ou devastação do ambiente. Tiramos da Terra o que ela nos oferece e devolvemos o que ela precisa, cuidamos de seus rios, lagos, matas e animais. Reflorestamos, preservamos, trabalhamos e amamos muito. E para demonstrar esse amor pela natureza dividimos com as pessoas que gostam da vida no campo, esse presente que Deus nos deu que é o Vale do Moxuara”.
“O Vale do Moxuara é hoje modelo de Preservação e aproveitamento sem nenhum tipo de agressão ou devastação do ambiente. Tiramos da Terra o que ela nos oferece e devolvemos o que ela precisa, cuidamos de seus rios, lagos, matas e animais. Reflorestamos, preservamos, trabalhamos e amamos muito. E para demonstrar esse amor pela natureza dividimos com as pessoas que gostam da vida no campo, esse presente que Deus nos deu que é o Vale do Moxuara”.
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